"Fátima, que de piloto virou passageira.
Por conveniência, amor e cumplicidade" ... ???


As migrações contrárias são bastante mais comuns, ou seja, de passageira para piloto.
Como se sente uma ex-piloto, com a mudança para o banco de tráz ?
É o que nos conta a “Primeira Garupa” Fátima Begena na entrevista a seguir.


NOME: Fatima Regina S. Begena
IDADE: 45 anos
FILHOS: 03 (uma moça de 17 e dois rapazes de 15 e 12 anos)
PROFISSÃO: Tecelã e Lojista de moda.
MOTOCLUBE: Coroa & Pinhão - Moto Grupo.
CIDADE: Presidente Prudente – SP

A quanto tempo vc é motociclista ?

Desde 1982, no início por absoluta conveniência quando ainda morava em São Paulo. Era bancária, fazia faculdade à noite e tinha necessidade de me locomover ràpidamente e desviar do trânsito, para não me atrasar para as aulas.

Qual era sua motocicleta ?
Tive várias. Eram pequenas, condizentes com o meu tamanho. Tinham 150/200 c.c. , mas eram mais do que suficientes para a proposta. Rápidas, leves e econômicas no consumo e manutenção.

Você comentou que desistiria de ser motociclista?
Depois da primeira gravidês, eu praticamente havia desistido ou pelo menos deixado adormecida minha vontade de andar de moto. Mais tarde, com filhos pequenos, tendo que exercer meu papel de mãe-motorista, levando e buscando da escola, compras, mercado, invariavelmente trazendo e levando os amigos de meus filhos de e para casa...
Mas o destino havia me reservado um segundo casamento com um motociclista, apaixonado por aventuras, viagens, e encontros de motos.

Qual motocicleta de vocês ?
Até dois anos atrás, era uma Kawasaki Vulcan 750, e hoje, uma Harley Davidson Fat Boy 1450 c.c. Ambas Custom, estilo mais condizente com nosso modo de ser.

Como foi essa mudança para o banco trazeiro?

No começo foi um pouco esquisito porque quando se pilota, tem-se que tomar todas as decisões e agir rapidamente. Somos donas absolutas de nossas atitudes e responsáveis por elas. Já no banco de traz, dá prá apreciar e curtir muito mais a paisagem e a viagem. Meus olhos ficam um pouco acima do ombro do piloto, e dá prá monitorar a velocidade (e dar um cutucão quando excede o razoável), observar as placas, e ser uma espécie de co-piloto e navegadora.
Tem-se que confiar bastante na habilidade do piloto, pois não há muito o que fazer no caso de um tombo ou possível barbeiragem. O que me conforta ainda mais, é que meu marido é meu “air-bag”.

Quais os pontos negativos de se andar na garupa ?
Tenho que confessar que às vezes dá um sono danado. Quando não estou muito atenta, algum buraco ou ondulação me pegam desprevenida (nossas estradas estão terríveis) e um baque no trazeiro é inevitável. No banco de traz sente-se muito mais os buracos, ainda que nossa moto seja muito confortável. O sissy-bar é um acessório fantástico e aumenta muito a sensação de segurança.
De resto, não tenho do que reclamar.

Quais as vantagens ?
Além de poder apreciar muito melhor a paisagem, é muito mais romântico. Ando agarrada a meu marido e nossas viagens têm sido muito agradáveis. Essa convivência mais estreita, aumenta muito a cumplicidade. Quando menos espero recebo um afago, um carinho, um beijo na mão...
Mario me apresenta como sua “primeira garupa”, que é a “primeira dama” da moto...

Vocês viajam bastante ?
Sim, e razoavelmente longe. Fazemos 500 a 650 Km por dia. Estamos planejando um roteiro pelo norte/nordeste do Brasil e também, se possível um “ride” pela rota 66, de Harley no ano que vem. Tanto quanto navegar, “sonhar também é preciso”, portanto não está fora de cogitação um tour pela Espanha, Itália, França e Alemanha, de BMW, marca que é a segunda moto-paixão do Mario.

Sobre os encontros que vc participou ?
Este ano, só fomos a Ribeirão Preto, Paranapanema e Dourados (MS). Estão em nossos planos ainda, Ourinhos, Avaré, Londrina, Paranavaí, e alguns outros. O fato é que quando os encontros ficam muito espaçados, inventamos um passeio com os amigos para um churrasco, ou uma peixada em alguma cidade próxima.

Não te dá vontade de voltar a pilotar ?
Dá muita, mas não me sinto confiante e nem à vontade prá pegar nossa moto, que pesa mais de 350 Kg ! Quem sabe mais prá frente, com uma moto menor ? Mas aí vou ter que pilotar sem meu air-bag !


Mais uma Entrevista Realizada por Mario L. Cestari

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